sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Entrevista com a coordenadora Profa. Dra. Mariana Muaze



Blog de História de Cantagalo entrevista: Mariana Muaze

Blog: Fale um pouco sobre sua trajetória acadêmica.           

Mariana: Eu me graduei em História na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. Me formei em 1994 e, logo, depois ganhei uma bolsa de aperfeiçoamento na Casa de Oswaldo Cruz da FIOCRUZ e comecei a dar aula no ensino médio e fundamental. Estas duas experiências foram muito importantes para a minha formação profissional. Eu sempre procurei manter minhas atividades de ensino e pesquisa concomitantemente, pois acredito que elas se completam. Na FIOCRUZ, fiz uma pesquisa sobre tradições de uso de plantas medicinais nas populações ribeirinhas da Amazônia com o prof. Fernando Dumas. Foram três anos de muito aprendizado. Fiz uma viagem com uma equipe multidisciplinar pelos rios Acre e Purus fazendo um trabalho de História Oral. Como resultado, publicamos um livro juntos que se chama "Tradições em Movimento" (esse vocês tem no polo).
Em 1997, entrei no mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Na época, procurei a PUC porque tinha uma ênfase maior nas disciplinas de teoria da história e eu achava que seria importante para a minha formação. Peguei o início do mestrado com curta duração. Fiz em dois anos e meio. Falo isso, porque houve um tempo em que o mestrado era em quatro anos e o doutorado em seis. Minha dissertação foi sobre infância no Império e se chamou " A descoberta da infância: a construção de um habitus civilizado na boa sociedade imperial". Eu queria discutir como a infância pertencente `as famílias mais abastadas do Império passou a ter sua educação e instrução valorizadas após a consolidação  do estado Imperial, em 1840. Cresceram os cuidados com a higiene e o corpo, instrução, letramento, refinamento e etiqueta,objetos de consumo, etc. Tudo isso impulsionado por um discurso médico-científico, mas também por uma necessidade de melhor formar os futuros cidadãos da boa sociedade imperial. Minhas principais fontes de pesquisa foram: manuais de etiqueta, jornais e revistas femininas e voltadas para a família, livros de bom comportamento, manuais de educação infantil e literatura de fundo pedagógico.
Defendi o mestrado em 1999 e continuei dando aula e trabalhando com pesquisas esporádicas por contrato. Em 2002, fui aprovada no doutorado na UFF com um projeto sobre família no Império. Esta tinha sido uma sugestão do prof. Ilmar Mattos, quando eu estava no mestrado e, desde então, passei a considerar esse tema correlato ao que vinha pesquisando para o doutorado. Minha intenção era trabalhar com fotografias de família, muito influenciada pelas pesquisas da prof. Ana Maria Mauad, que foi minha orientadora no doutorado. No meu primeiro projeto, eu iria trabalhar com três coleções familiares: Benjamin Constant, família Imperial e Ribeiro de Avellar. A ideia era pegar diferentes setores da boa sociedade e trabalhá-los. Quando comecei a levantar os documentos da família Ribeiro de Avellar, me deparei com uma multiplicidade de documentos privados que não pude desprezar. Conversei com a minha orientadora e refiz meu projeto para uma pesquisa sobre micro História com base na documentação da família Ribeiro de Avellar. Conclui o doutorado com a tese " O Império do Retrato": família, riqueza e representação social no Brasil Oitocentista (1840-1889)". O legal é que com esta tese ganhei dois prêmios em 2007: menção honrosa no Prêmio Jorge Zahar de Pesquisa e  terceiro lugar no Prêmio Arquivo Nacional. Como resultado o trabalho foi publicado em 2008, pela Zahar, com o nome de " As Memórias da Viscondessa: família e riqueza no Império". Em 2009, entrei para a UNIRIO para a área de metodologia do ensino da História e comecei a coordenar o curso de Licenciatura em História EAD da UNIRIO, o que me dá um grande prazer. O bom é que conseguimos um excelente comprometimento do corpo docente para o projeto e, aos poucos, estamos conseguindo estruturar o curso. Ainda não é o que julgamos ser o ideal, mas estamos trabalhando para isso. 

Blog: Como coordenadora do curso, você possui muitas responsabilidades. Que tal explicar para os alunos um pouco do seu trabalho?

Mariana: Para começar digo que não faço nada sozinha. Primeiro porque acredito que trabalhar em equipe é bem melhor e mais eficiente. Conto com a ajuda do prof. Marcelo Magalhães, prof. Gilmar Oliveira e das minhas três fadas madrinhas: Sonia, Carmem e Graziela. Sem essas pessoas, não daria certo. Além disso, os tutores coordenadores são figuras fundamentais em vários sentidos. Isso para falar das pessoas que tenho contato mais direto, mas minha equipe de tutores presenciais, tutores a distância e coordenadores são fundamentais para o meu trabalho. Estamos numa rede e todas as pontas devem funcionar bem.
As responsabilidades da coordenadora de curso são muitas: zelar por toda a documentação dos alunos e professores exigida pelo MEC, participar das reuniões com o CEDERJ e mediar decisões com o mesmo, fazer banca de seleção de tutores, coordenadores de disciplina e conteudistas, cuidar dos sistemas de notas SIE (UNIRIO) e INFOAC (CEDERJ), participar da Câmara técnica de EAD da UNIRIO e de todos os foruns de discussão de EAD na universidade, participar da plataforma SISUAB e do forum dos coordenadores de cursos de História EAD da UAB em Brasília, cuidar da qualidade pedagógica do curso, e outras coisas mais que nós só vamos descobrindo na prática.

Blog: A senhora participou da redação de algum módulo? Como foi essa experiência?

Mariana: Escrevi sim o módulo de Império com os profs. Ricardo Salles, João E. Filho e Kaori Kodama. A experiência foi maravilhosa e fiquei bastante satisfeita com o trabalho. Mandávamos as aulas uns para os outros para que houvesse uma unidade no material, acho que isso funcionou bem. Além disso, conheço e admiro o trabalho das pessoas com quem escrevi e isso ajuda muito.         

Blog: Recentemente, em julho de 2012, você esteve na aula inaugural do Polo Cantagalo, e disse que esse Polo era especial para o curso de História semipresencial da UNIRIO. Como é um evento voltado para os calouros, a maioria dos alunos veteranos, infelizmente, não esteve presente naquele momento. Então que tal falar um pouco novamente sobre isso?           

Mariana: Gosto muito de vir a este polo, como ele é o mais longe, é perceptível que a maioria dos alunos é da região. Isso é bastante interessante, pois os alunos têm como característica querer saber mais sobre a história regional. Não é de hoje que me perguntam sobre pesquisa, centro de memória, monografia, etc. O próprio Centro de memória é um movimento pioneiro do curso de Cantagalo. Estamos tentando levar para os outros polos e fazer com que a própria UNIRIO encampe a proposta, é difícil mas está entre nossas metas que, na ponta, é uma forma muito interessante de unir ensino, pesquisa e extensão. Já estamos fazendo isso em Duque de Caxias com uma parceria com o Museu Nacional e em Piraí com o Arquivo Municipal de Piraí, o qual o prof. Ricardo Salles foi contemplado com um edital PRONEM da FAPERJ para financiar o projeto.     

Blog: Recentemente foi formalizado a "oficialização" do Núcleo de História no polo Cantagalo, inclusive o curso ganhou um importante projeto a ser financiado pela Faperj que acontecerá nas dependências do polo de Cantagalo. O que esse projeto significa para o curso de História EAD da Unirio e quais são as expectativas da Universidade em relação a isso?

Mariana: Essa ideia veio dos alunos e dos tutores do polo Cantagalo. Eu como coordenadora de curso me interessei muito e sempre incentivei até que outros professores (Anderson Oliveira, Claudia Rodrigues e Leila Bianchi) resolveram me ajudar a tocar o projeto. Viemos a Cantagalo, conhecemos o trabalho que os tutores presenciais e os alunos estavam fazendo com a documentação da Igreja Matriz, fizemos reuniões com a direção do polo, membros da prefeitura e nos encantamos com a dedicação e a militância no sentido de salvaguardar a documentação  sobre a região. Então, começamos a trabalhar num projeto para a FAPERJ que pudesse nos ajudar a viabilizar as atividades de preservação de fontes e as atividades no Centro do memória. Foi mais de um ano de trabalho de toda a equipe, mas deu certo. O prof. Anderson encabeçou o projeto e vamos poder dar continuidade ao trabalho. O programa Território e Trabalho da CEAD/UNIRIO também disponibilizará bolsas de IC para 3 alunos de Cantagalo, o que nos ajudará muito.

Blog: Para finalizar, quer enviar algum recado para os alunos?        

Mariana: Acho a EAD uma proposta de educação bastante democrática, dinâmica, mas difícil. Ainda estamos arraigados `a cultura da aula expositiva, da cobrança externa, da nota. Na EAD todas estas questões ficam exacerbadas e fala mais alto a disciplina de estudo. No que compete `a estrutura organizacional, ainda temos que nos estruturar bastante para darmos aos profissionais da EAD melhores condições de trabalho e ensino. De resto, aproveitem porque estar na universidade é uma experiência maravilhosa.
Um abraço a todos,          
Mariana Muaze

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