Blog de História de
Cantagalo entrevista: Mariana Penna
contato: mariana.penna@yahoo.com.br
Blog: Fale um pouco sobre
sua trajetória acadêmica:
Mariana: Realizei a
graduação e o mestrado em História na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Minha pesquisa de mestrado foi a respeito de organizações socialistas
libertárias no Rio de Janeiro (1985-2009), mais especificamente sobre a atuação
desses grupos em movimentos por moradia. Em 2011, iniciei a pós-graduação lato
senso em Sociologia Urbana na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Agora, em 2012, comecei o doutorado em História, novamente na UFF, e sou
pesquisadora do Núcleo de Investigação Social (NIS), cujo foco é o estudo das
tradições libertárias dos movimentos de trabalhadores. Meu objeto de pesquisa
atual é o Movimento das Comunidades Populares (1969-2010) e sou orientada pela
professora Laura Antunes Maciel.
Blog: Desde quando você
está trabalhando no Pólo Cantagalo, e quais as disciplinas que você está
ministrando nesse semestre?
Mariana: Comecei a atuar
como professora tutora presencial de História da América I e História da
América II em finais de agosto de 2011 e permaneço como tutora das mesmas
disciplinas.
Blog: Poderia falar um
pouco sobre sua experiência profissional na Educação Básica?
Mariana: Sou professora da
rede estadual de ensino em Petrópolis e já trabalhei como docente da Prefeitura
de Cabo Frio e do Rio de Janeiro, mas pedi exoneração, pois não aguentei. Atuar
na rede pública de ensino é algo realmente complicado e é um choque quando
saímos da universidade com uma visão demasiadamente romântica. Os problemas são
muitos e amplamente conhecidos: indisciplina, baixos salários, desorganização,
apatia política. Não acredito que a educação seja redentora da sociedade, mas
sim um reflexo dela, e enquanto existir escola privada vai existir escola
pública de baixa qualidade. Isso não significa que devemos nos acomodar, acho
que é papel do professor se dedicar ao seu trabalho, ter compromisso, respeitar
seus alunos e exigir respeito e melhorias no ensino. Professor que, sabendo que
não vai ser descontado, falta e se atrasa de maneira injustificada, professor
que aprova aluno que não sabe nada para receber bonificações (14º salário, por
exemplo), fazem um desserviço à educação, e o pior é que, muitas das vezes, são
justamente esses os primeiros a criticarem as greves da categoria.
Blog: Sua pesquisa é
sobre movimentos sociais, questão, aliás, que não é apenas seu objeto de
estudo, mas algo no qual você atua. Fale um pouco sobre isso:
Mariana: Eu sou ativista
desde os quinze anos: passei por coletivos anarquistas, atuei no movimento
estudantil e hoje faço parte da Organização Popular, atuando no Movimento dos
Trabalhadores Desempregados pela Base. Num passado não muito distante, estudar
algo tão próximo era mal visto do ponto de vista científico, mas felizmente são
poucos aqueles que hoje defenderiam um discurso de neutralidade e distanciamento
absolutos em relação ao objeto de pesquisa. Neutralidade não existe, quem diz
não tomar partido defende o status quo. O que existe é ética profissional e
compromisso com a verdade. Valendo-me desse princípio, percebo que atuar em
movimentos sociais, mais do que um entrave, é na verdade um elemento que
contribui para minhas pesquisas, é uma visão de dentro, a partir da experiência
cotidiana. Além disso, acho que é necessário retomar os estudos sobre
movimentos sociais, algo que tem sido bastante abandonado por sociólogos,
historiadores e outros acadêmicos principalmente após o período da
“redemocratização”. Os movimentos sociais seguem existindo, mas parece que para
muitos eles sumiram da História, seja porque teriam sido absorvidos pelo
aparato estatal ou se transformado em ONGs, seja porque simplesmente deixaram
se existir. Mas isso não é verdade, muitas lutas contra hegemônicas estão se
dando, revelando projetos outros de sociedade que não o dominante, resta à
academia atentar para elas.

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