quinta-feira, 31 de maio de 2012

Entrevista com a professora-tutora Mariana Penna


Blog de História de Cantagalo entrevista: Mariana Penna


contato: mariana.penna@yahoo.com.br

Blog: Fale um pouco sobre sua trajetória acadêmica:

Mariana: Realizei a graduação e o mestrado em História na Universidade Federal Fluminense (UFF). Minha pesquisa de mestrado foi a respeito de organizações socialistas libertárias no Rio de Janeiro (1985-2009), mais especificamente sobre a atuação desses grupos em movimentos por moradia. Em 2011, iniciei a pós-graduação lato senso em Sociologia Urbana na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Agora, em 2012, comecei o doutorado em História, novamente na UFF, e sou pesquisadora do Núcleo de Investigação Social (NIS), cujo foco é o estudo das tradições libertárias dos movimentos de trabalhadores. Meu objeto de pesquisa atual é o Movimento das Comunidades Populares (1969-2010) e sou orientada pela professora Laura Antunes Maciel.

Blog: Desde quando você está trabalhando no Pólo Cantagalo, e quais as disciplinas que você está ministrando nesse semestre?

Mariana: Comecei a atuar como professora tutora presencial de História da América I e História da América II em finais de agosto de 2011 e permaneço como tutora das mesmas disciplinas.

Blog: Poderia falar um pouco sobre sua experiência profissional na Educação Básica?
Mariana: Sou professora da rede estadual de ensino em Petrópolis e já trabalhei como docente da Prefeitura de Cabo Frio e do Rio de Janeiro, mas pedi exoneração, pois não aguentei. Atuar na rede pública de ensino é algo realmente complicado e é um choque quando saímos da universidade com uma visão demasiadamente romântica. Os problemas são muitos e amplamente conhecidos: indisciplina, baixos salários, desorganização, apatia política. Não acredito que a educação seja redentora da sociedade, mas sim um reflexo dela, e enquanto existir escola privada vai existir escola pública de baixa qualidade. Isso não significa que devemos nos acomodar, acho que é papel do professor se dedicar ao seu trabalho, ter compromisso, respeitar seus alunos e exigir respeito e melhorias no ensino. Professor que, sabendo que não vai ser descontado, falta e se atrasa de maneira injustificada, professor que aprova aluno que não sabe nada para receber bonificações (14º salário, por exemplo), fazem um desserviço à educação, e o pior é que, muitas das vezes, são justamente esses os primeiros a criticarem as greves da categoria.

Blog: Sua pesquisa é sobre movimentos sociais, questão, aliás, que não é apenas seu objeto de estudo, mas algo no qual você atua. Fale um pouco sobre isso:

Mariana: Eu sou ativista desde os quinze anos: passei por coletivos anarquistas, atuei no movimento estudantil e hoje faço parte da Organização Popular, atuando no Movimento dos Trabalhadores Desempregados pela Base. Num passado não muito distante, estudar algo tão próximo era mal visto do ponto de vista científico, mas felizmente são poucos aqueles que hoje defenderiam um discurso de neutralidade e distanciamento absolutos em relação ao objeto de pesquisa. Neutralidade não existe, quem diz não tomar partido defende o status quo. O que existe é ética profissional e compromisso com a verdade. Valendo-me desse princípio, percebo que atuar em movimentos sociais, mais do que um entrave, é na verdade um elemento que contribui para minhas pesquisas, é uma visão de dentro, a partir da experiência cotidiana. Além disso, acho que é necessário retomar os estudos sobre movimentos sociais, algo que tem sido bastante abandonado por sociólogos, historiadores e outros acadêmicos principalmente após o período da “redemocratização”. Os movimentos sociais seguem existindo, mas parece que para muitos eles sumiram da História, seja porque teriam sido absorvidos pelo aparato estatal ou se transformado em ONGs, seja porque simplesmente deixaram se existir. Mas isso não é verdade, muitas lutas contra hegemônicas estão se dando, revelando projetos outros de sociedade que não o dominante, resta à academia atentar para elas.

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